简体中文
繁體中文
English
Pусский
日本語
ภาษาไทย
Tiếng Việt
Bahasa Indonesia
Español
हिन्दी
Filippiiniläinen
Français
Deutsch
Português
Türkçe
한국어
العربية
Dólar Hoje (08/01): Leve Alta e Sinais Mistos Sob o Peso dos Dados dos EUA
Resumo:A sessão desta quinta-feira, 8 de janeiro de 2026, traz um cenário de cautela e volatilidade moderada para o câmbio. O dólar comercial opera com uma leve alta frente ao real, refletindo um equilíbrio frágil entre pressões internacionais e dados econômicos locais. Os traders e investidores têm sua atenção dividida: de um lado, os desdobramentos geopolíticos envolvendo os Estados Unidos, Venezuela e até a Groenlândia; de outro, a ansiosa espera por dados macroeconômicos cruciais da economia norte-americana, que podem redefinir as expectativas sobre a política monetária do Federal Reserve (Fed). Neste início do ano, o mercado demonstra sensibilidade a qualquer sinal que possa alterar a trajetória dos juros globais e o apetite a risco.

Publicado em 08/01/2026
A sessão desta quinta-feira, 8 de janeiro de 2026, traz um cenário de cautela e volatilidade moderada para o câmbio. O dólar comercial opera com uma leve alta frente ao real, refletindo um equilíbrio frágil entre pressões internacionais e dados econômicos locais. Os traders e investidores têm sua atenção dividida: de um lado, os desdobramentos geopolíticos envolvendo os Estados Unidos, Venezuela e até a Groenlândia; de outro, a ansiosa espera por dados macroeconômicos cruciais da economia norte-americana, que podem redefinir as expectativas sobre a política monetária do Federal Reserve (Fed). Neste início do ano, o mercado demonstra sensibilidade a qualquer sinal que possa alterar a trajetória dos juros globais e o apetite a risco.
Cotação do Dólar no Pregão: Pequenas Oscilações e Foco no Exterior
Às 9h06 desta quinta-feira, o dólar à vista registrava uma valorização de 0,12%, sendo negociado a R$ 5,392 na venda. O contrato futuro para fevereiro, atualmente o mais líquido na B3, subia 0,04%, cotado a R$ 5,423. Esses números representam uma continuidade da baixa volatilidade observada nos últimos pregões, com o mercado operando em um intervalo estreito. O fechamento da véspera, quarta-feira (07), havia sido a R$ 5,3869, uma alta de 0,09%. A aparente estabilidade, no entanto, mascara a tensão latente no ambiente externo. O índice do dólar, que mede a força da moeda norte-americana contra uma cesta de seis divisas, subia modestamente 0,07%, para 98,795 pontos, indicando um dólar globalmente firme, porém sem força expressiva.
O pregão é marcado por uma liquidez ainda limitada, padrão comum no início de janeiro, mas que pode amplificar movimentos pontuais. Às 11h30, uma ação institucional programada entra em cena: o Banco Central do Brasil (BCB) realizará um leilão de swap cambial de 50.000 contratos, com o objetivo de rolar o vencimento de 2 de fevereiro. Essa operação, embora técnica e sem o intuito de direcionar a taxa de câmbio, oferece hedge (proteção) ao mercado e é acompanhada de perto como um termômetro da demanda por proteção cambial.
O Peso da Agenda Externa: Geopolítica e Dados dos EUA no Centro das Atenções
O principal motor das oscilações nesta quinta-feira vem de fora do Brasil. Duas frentes mantêm os investidores em estado de alerta: a geopolítica e os indicadores econômicos norte-americanos.
No campo geopolítico, as declarações e ações do governo dos Estados Unidos seguem criando ondas de incerteza. O mercado monitora os desdobramentos da intervenção dos EUA na Venezuela, com o presidente Donald Trump afirmando que o país sul-americano comprará apenas produtos norte-americanos com a receita de suas vendas de petróleo, sob supervisão dos EUA – uma supervisão que, segundo Trump, poderá durar anos. Além disso, declarações sobre a Groenlândia (sob controle dinamarquês) e a Colômbia adicionaram uma camada extra de risco geopolítico ao cenário. Essa escalada de tensões amplia a percepção de instabilidade global, favorecendo ativos considerados refúgio e sustentando um piso para o dólar.
Contudo, o grande foco do mercado financeiro global está nos números. Após um relatório ADP de empregos do setor privado decepcionante na véspera – que mostrou a criação de apenas 41 mil vagas em dezembro, abaixo dos 47 mil esperados –, a ansiedade se volta para os dados oficiais de trabalho. Nesta quinta-feira, serão divulgados os pedidos semanais de auxílio-desemprego. O grande evento, porém, acontece na sexta-feira (09): a divulgação do relatório de empregos não-agrícolas (payroll) dos EUA. Este é considerado um dos indicadores mais importantes do mundo, capaz de moldar as expectativas sobre os próximos movimentos do Federal Reserve.
Segundo a ferramenta CME FedWatch, o mercado precificava, na manhã desta quinta, uma probabilidade de 88,4% de que o Fed mantenha as taxas de juros inalteradas em sua reunião do fim deste mês, contra apenas 11,6% de chance de um corte de 25 pontos-base. Um payroll forte pode reduzir ainda mais as expectativas de corte iminente, fortalecendo o dólar no cenário global. Já um dado fraco reacenderia a discussão sobre um afrouxamento monetário mais rápido, potencialmente pressionando a moeda americana.
Cenário Doméstico: Indústria Estagnada e Eco dos Ataques de 8 de Janeiro
Enquanto o noticiário externo domina, o cenário brasileiro oferece seus próprios ruídos, embora com impacto mais limitado no câmbio no curto prazo. Dados econômicos divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que a produção industrial brasileira ficou estável em novembro na comparação com outubro, e recuou 1,2% na comparação com novembro de 2024. O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado, que projetava uma alta mensal de 0,2% e uma queda anual de 0,1%. Este dado aponta para uma recuperação frágil e irregular da atividade econômica no fim do ano passado.
Na frente política e institucional, a data de 8 de janeiro recoloca eventos do passado no debate atual. Cresce a expectativa de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vete, durante a cerimônia que marca os três anos dos ataques golpistas, o PL da dosimetria – projeto que reduz penas dos condenados por aqueles atos. O evento em si não deve reunir a cúpula do Congresso nem uma representação expressiva de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), mas seu simbolismo e as decisões tomadas podem reacender debates e influenciar o humor do mercado em relação aos rumos institucionais do país. Paralelamente, os desdobramentos do Caso Master seguem no radar dos investidores, mantendo um grau de incerteza sobre o ambiente regulatório e financeiro doméstico.
Projeções e Análises: O Que Esperar para o Dólar nos Próximos Dias?
A análise do cenário atual permite traçar alguns caminhos prováveis para o par USD/BRL. No curto prazo, o direcionamento principal continuará vindo do exterior. A combinação entre o payroll norte-americano de sexta-feira e a evolução das tensões geopolíticas será decisiva. Um dado de emprego robusto nos EUA tende a fortalecer o dólar globalmente, podendo pressionar o real e testar a resistência na faixa de R$ 5,40 para o dólar à vista. Por outro lado, um número fraco pode dar algum fôlego às moedas emergentes, como o real, possibilitando uma correção para patamares próximos a R$ 5,35.
No front doméstico, o Banco Central tem demonstrado cautela. Dados de inflação, como o IGP-DI de dezembro que variou apenas 0,1% (acumulando deflação de 1,20% no ano), reforçam o processo de desinflação em curso. Este cenário dá margem para o BC avaliar com mais calma o ciclo monetário, sem pressa para novos cortes agressivos da taxa Selic, o que, em tese, oferece algum apoio ao real. No entanto, a fragilidade da atividade econômica, ilustrada pelos dados industriais, atua como um contrapeso, limitando o espaço para uma valorização mais consistente da moeda brasileira.
Euro e Outras Divisas: Um Cenário de Contrastes no Mercado Global
A performance mista do dólar se reflete em seus principais pares. Enquanto frente ao real opera com leve alta, sua posição contra outras moedas importantes é desigual. Na manhã desta quinta-feira, o dólar mostrava estabilidade frente ao iene japonês e ao euro, mas uma leve desvalorização frente à libra esterlina. O euro, moeda de 20 países da zona do euro, abriu o dia sendo cotado a aproximadamente R$ 6,39. A moeda única europeia também navega entre dados econômicos – como a taxa de desemprego da zona do euro – e o mesmo ambiente de aversão a risco gerado pela geopolítica. O desempenho fraco das bolsas europeias e a sinalização de aumento nos gastos militares dos EUA têm pressionado o sentimento de risco no Velho Continente.
Conclusão: Uma Sessão de Transição sob a Sombra da Incerteza
O pregão de 08 de janeiro de 2026 se configura como uma sessão de transição e cautela. A leve alta do dólar reflete um mercado que tenta precificar um conjunto complexo de variáveis: risco geopolítico ascendente, expectativas sobre juros nos EUA prestes a serem testadas por dados concretos, e um cenário doméstico brasileiro marcado por incertezas institucionais e uma recuperação econômica ainda vacilante. A estabilidade relativa das cotações esconde a tensão subjacente. O que fica claro é que o direcionamento principal ainda vem de fora, e qualquer surpresa no payroll americano ou uma escalada nas tensões envolvendo a Venezuela tem o potencial de romper o intervalo de oscilação estreita em que o dólar real tem operado. Para os próximos dias, os investidores devem manter os olhos fixos na agenda externa, enquanto monitoram se as instituições domésticas conseguem gerar um ambiente mais previsível, essencial para atrair fluxos de capital de longo prazo e consolidar uma trajetória de maior estabilidade cambial.

Isenção de responsabilidade:
Os pontos de vista expressos neste artigo representam a opinião pessoal do autor e não constituem conselhos de investimento da plataforma. A plataforma não garante a veracidade, completude ou actualidade da informação contida neste artigo e não é responsável por quaisquer perdas resultantes da utilização ou confiança na informação contida neste artigo.
